Menu fechado

Setembro amarelo: tudo bem não estar bem

Setembro Amarelo

O setembro é considerado o mês mundial de prevenção ao suicídio, por isso é chamado também de Setembro Amarelo. Embora seja mais discutido hoje em dia, o tema já foi um tabu muito maior e ainda encontra dificuldades para identificação de sinais, oferta e busca por ajuda. O dia 10 de setembro representa o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, que é uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo. 

Leia mais:

+ 5 estratégias para motivar os alunos a estudar

O suicídio é considerado um problema de saúde pública e segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. Se por um lado os números mundiais tem diminuído, por outro o Brasil segue na contra-mão e os números por aqui só aumentam. Desse modo, falar sobre o suicídio e sua prevenção é essencial. 

Segundo a psicanalista e mestre em educação Jane Haddad, é preciso enxergar o suicídio como uma consequência, já que somos seres humanos formados por questões existenciais. Desde pequenos, lidamos com o vazio e o medo da morte, sem considerarmos que a tristeza é sentimento assim como a alegria. “Eu acredito que o Setembro Amarelo é uma sensibilização que tem que ser aderida nas escolas dentro de um calendário. Como eu acredito também que o Brasil  peca por não ter uma política pública que contemple a saúde mental como prevenção”, conta Haddad.

A melhor maneira de prevenir o suicídio é falando sobre ele. Diversas causas podem levar uma pessoa a querer tirar sua vida, por isso, é preciso observar, escutar e acolher quem precisa de ajuda.

O papel da escola na prevenção ao suicídio

A psicanalista acredita que a educação tem papel fundamental no estabelecimento de um diálogo sobre o assunto. Para ela, embora a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) traga em suas competências socioemocionais o incentivo à discussões de sentimentos, ainda precisamos desenvolver uma cultura de diálogo. 

Haddad defende que a escola deve ser um espaço aberto para que as crianças e jovens possam falar dos seus sentimentos. Entretanto, é preciso que os adultos estejam preparado para acolher essas agústias. “Se os professores, os gestores, os donos de escola, não se haverem com os próprios sentimentos, não conseguiremos tocar as novas gerações. Falar de sentimento é falar desse vazio, é trabalhar a ideia da frustração”, conta a psicanalista.

Nesse sentido, o diálogo não se refere expressamente ao dizer, mas sim, se colocar numa posição de escuta e acolhimento sem pré-julgamentos. Para quebrar o momento de surdez, é preciso que escola e família tenham um olhar atento aos jovens e crianças, pois as angústias podem ser manifestadas através do comportamento.

A construção de um espaço seguro para fala permite que o jovem coloque em palavras aquilo que lhe causa dor. Segundo Haddad, o suicídio não precisa ser abordado de maneira tão direta. A escola pode propor grupos e rodas de conversa para tratar das causas, e não da consequência. “Acho que a forma que a escola pode trazer isso é falar da falta de sentido na vida. não precisa usar a palavra suicídio, mas pode falar do vazio existencial”, defende. 

Falar sobre frustrações e ciclos, que tem começo, meio e fim, é uma ótima maneira de trabalhar o Setembro Amarelo ao longo do ano todo. Assim como as estações do ano, a vida humana também é composta por ciclos e as crianças devem ser ensinadas de existe um processo de nascimento, desenvolvimento e morte.

As redes sociais e a imposição de felicidade

Com a chegada das redes sociais, fomos submetidos a um universo de perfeição e idealização. O número de likes e seguidores se tornou uma régua de amor e aceitação. “Diversos caminhos apontam para os jovens e crianças que o importante é ser feliz, ser bem sucedido, ganhar muito dinheiro, ter um corpo bonito, um cabelo bonito mas a realidade é outra”, conta Haddad.

Embora a vida seja um equilíbrio entre a felicidade e a tristeza, muito se fala sobre a alegria mas pouco se discute a tristeza. Além disso, é preciso que tenhamos uma visão crítica sobre os modelos e ideais estabelecidos. A felicidade se constrói a partir de momentos de felizes, sem ignorar as momentos de infelicidade. Aprender a relação entre ganhar e perder também contribui para o desenvolvimento do senso de que a vida não é perfeita. 

Haddad observa que é preciso aceitar que as coisas não estão sob controle o tempo todo, já que existem inúmeras circunstâncias que não dependem de nós. Entretanto,  os adultos precisam aprender a lidar com a incompletude de suas existências para conseguir formar gerações melhores. “Eu tenho notado que muitos adultos estão desesperançosos e passando essa desesperança pras crianças e jovens, que tem como horizonte a vida. Não que a gente vai dizer pra ele [jovem] que está tudo bem, mas é dizer que hoje a gente não está bem que a gente pode falar disso.” 

Ela completa alertando que “os adultos têm mais experiência de vida do que as crianças. Então de alguma forma eles tem que estar com a bússola na mão.” 

Rede de apoio ao Setembro Amarelo

A pandemia do novo coronavírus impactou diretamente a vida de todos. Porém, não podemos deixar que o isolamento social agrave ainda mais as dores de quem se sente que tirar a própria vida é a única saída. Para se livrar de uma dor, é preciso falar sobre ela. 

As famílias devem aproveitar o momento em que ficaram tão mais próximos de seus queridos para observar o que não tem funcionado bem. A tristeza pode ser expressada por atitudes, comportamentos, desenhos, assuntos, e conteúdos consumidos. Especialmente nesse momento, é preciso que família e escola ajude os estudantes a lidarem com as perdas, a ansiedade, as incertezas, o luta, a depressão, a culpa, e todos os outros sentimentos que podem conduzir ao suicídio.

Pai, mãe, irmão mais velho, tio, primo, gestor, professor ou parentes podem ser ouvintes para aqueles que precisam de ajuda. Mesmo que virtualmente, é preciso enxergar o outro e sentir sua proximidade.

Qualquer pessoa que estiver pensando em cometer suicídio pode procurar a ajuda especializada do CVV (Centro de Valorização da Vida), que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio por telefone (188), e-mail, chat e pessoalmente 24 horas por dia (inclusive aos feriados)  O atendimento é voluntário, gratuito e totalmente sigiloso.

PDF Google Classroom
Publicado em:Ambiente Escolar,Ambiente Familiar
Post relacionado
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *