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Educação financeira nas escolas: mudança cultural

educação financeira

Trabalhar educação financeira nas escolas vai além de apenas ensinar mais matemática para crianças e jovens. Culturalmente falando, os brasileiros não têm uma boa relação com o dinheiro, e isso se reflete nos altos indíces de inadimplência. Ao fazer parte do currículo escolar, a educação financeira aparece como uma medida para ajudar não apenas as crianças a se tornarem adultos organizados, mas também para auxiliar as famílias na administração de seu orçamento.

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A discussão sobre a implantação da educação financeira nas escolas não é recente, a pauta surgiu antes mesmo da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Uma das primeiras iniciativas para promover essa aprendizagem foi a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), instituída em 2010.  Os livros didáticos da entidade ainda estão disponíveis para serem baixados e o site também reúne outros materiais informativos para jovens e adultos. 

Isso porque falar sobre educação financeira significa tratar de um problema cultural em nosso país. De acordo com dados divulgados em janeiro deste ano pelo Serasa Experian, o total de inadimplentes ficou em 63,8 milhões em novembro de 2019. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, número de pessoas com contas em atraso era de 62,6 milhões. Ainda no levamento de 2019, o número de contas não pagas ou atrasadas chegou a 226,6 milhões, uma relação de 3,5 contas por CPF.

Somado a isso, uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) revelou que 45% dos brasileiros considera um desafio ter o controle de suas finanças.  O mesmo estudo também apontou que 31% dos consumidores são inseguros para lidar com o dinheiro.

Educação financeira na base

Tendo em vista a necessidade de modificação no comportamento, a BNCC traz a educação financeira como um assunto transversal, que deverá contar como parte dos currículos da Educação Infantil ao Ensino Médio. Isso significa que a educação financeira deverá ser abordada de maneira interdisciplinar em diversas aulas e projetos. 

Uma vez que o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), homologado pelo Ministério da Educação (MEC), previa que as redes de ensino adequassem os currículos da educação infantil e fundamental até 2020, essa e outras competências já devem ser trabalhadas nas escolas.

Nesse sentido, a educação financeira não é mais um conjunto de cálculos matemáticos. De acordo com a AEF-Brasil ela é “é uma leitura de realidade, de planejamento de vida, de prevenção e de realização individual e coletiva.” Desse modo, nada mais coerente do que trabalhar os conceitos ligada a ela desde os anos iniciais da vida escolar. Afinal, a escola é o espaço de formação do cidadão, onde o estudantes desenvolvem conhecimentos cognitivos e habilidades socioemocionais para sua vida em sociedade. 

Trabalhar a educação financeira, portanto, significa envolver dimensões culturais, sociais e psicológicas além da econômica sobre as questões do consumo, do trabalho e dinheiro. Essa dimensões são fundamentais uma inserção crítica e consciente dos jovens no mundo atual e mercado de trabalho.

Ao tratar de assuntos como taxa de juros, aplicações financeiras, inflação, impostos e Sistemas Monetários (nacional e mundial), nossos estudantes serão desenvolvidos para se tornarem adultos financeiramente responsáveis e que cobram de seus governantes a mesma postura responsável.

Por meio da educação financeira, as crianças deverão aprender que é preciso poupar para realizar um sonho, portanto, devem estabelecer julgamentos e tomar melhores decisões sobre o dinheiro. Equilíbrio, autonomia, tomada de decisão e responsabilidade social são apenas algumas das habilidades desenvolvidas com a educação financeira.

Como as crianças financeiramente educadas podem ajudar suas famílias durante crises

Não podemos nos esquecer que crianças são indivíduos multiplicadores. Mas, além disso, sabemos que os anos iniciais da vida de qualquer pessoa são aqueles em que ela está mais suscetível a mudança. As experiências vividas ao longo da infância e da adolescência tem impacto direto na maneira como aquela vida será conduzida na fase adulta. Desse modo, aprender uma maneira saudável de lidar com o dinheiro, desde a infância, trará inúmeros benefícios para a criança e seu círculo familiar.

Uma vez que o estudante desenvolve a consciência dos próprios gastos e do orçamento da sua família, fica mais para ele compreender e auxiliar seus pais em um momento de crise. Entretanto, vale ressaltar que não é apenas dever da escola desenvolver esse trabalho de conscientização.

Cabe aos pais ensinar as crianças a ouvir e aceitar o não, que o dinheiro vem do trabalho e que sua responsabilidade social cresce juntamente com a renda. Ao tratar dessas questões, a família deve ter uma conversa franca, clara e direta com os filhos. Dessa maneira, quando for necessário reajustar o orçamento da família por conta de qualquer crise, os cortes de gastos não serão recebidos com pânico.

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Publicado em:Pedagógico
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