Ensino domiciliar: por que o tema merece atenção?

Receba dicas e conteúdos exclusivos para a educação do seu filho.

Obrigado por se cadastrar. Em breve você receberá nossos conteúdos no seu e-mail!

Ops! Algo deu errado. Por favor, confira seus dados e tente novamente.

Ensino domiciliar, também conhecido como homeschooling, é um assunto que está sendo amplamente debatido por educadores no Brasil. No mês de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que autoriza a metodologia no país. Veja também: + Saiba como conseguir bolsas de estudos de até 80%

Embora o ensino domiciliar ainda necessite de aprovação do Senado e da sanção da Presidência da República, muito tem se falado sobre os impactos do homeschooling na rotina das escolas. 

Alguns especialistas na área alertam que a educação em casa pode atrapalhar o rendimento dos alunos. Outra questão que merece atenção, segundo os professores, é o impacto na socialização de adolescentes e crianças.


O que é ensino domiciliar?

Como o próprio nome já sugere, o ensino domiciliar é uma modalidade educacional em que os alunos estudam em casa. Os conteúdos são abordados de acordo com as necessidades da criança, sem a obrigatoriedade de frequentar a sala de aula. 

Uma matéria publicada pela Rádio Câmera afirma que cerca de três mil famílias brasileiras são adeptas do homeschooling. Este dado não é oficial, já que os responsáveis não costumam assumir com facilidade que praticam a modalidade em suas residências. 

Afinal, não existe uma lei que estabeleça diretrizes básicas para a adoção adequada do ensino domiciliar. Édison Prado de Andrade, professor, advogado e autor de uma tese de doutorado sobre o tema, acredita que os motivos principais para os pais se interessarem por essa modalidade são: 

  • Violência nas escolas;

  • Dificuldades enfrentadas por crianças com necessidades especiais;

  • Questões educacionais, religiosas e financeiras;

  • Preferência das famílias por educar as crianças de acordo com as próprias convicções.

Por outro lado, muitos educadores questionam a prática do homeschooling e temem os impactos que ele pode trazer para os estudantes.

"O entendimento de que a educação é só conteúdo, que é só passagem de conteúdo, não é verdadeiro. Educação é construção de posturas críticas, criativas, cidadãs, e isso se faz coletivamente nos espaços com outros estudantes. Então, a educação domiciliar cerceia o direito dos estudantes a acessar os coletivos, a acessar os grupos, acessar os pares com quem pode trocar, e uma troca que também envolve os afetos, os relacionamentos, as amizades. Tudo isso é currículo", destaca a pesquisadora em educação Denise Carreira, da ONG Ação Educativa.


Diferença entre educação domiciliar e ensino remoto

O ensino remoto e o ensino híbrido, que ganharam força durante a pandemia, não devem ser confundidos com o ensino domiciliar. Este último desliga totalmente a criança da escola.

Os pais tomam as decisões sobre os conteúdos que os filhos irão estudar, seguindo o conteúdo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ou seja, não há envolvimento de professores, coordenadores e metodologias específicas de ensino. 

Leia também: Descubra o que é a BNCC

Já no ensino remoto, as famílias apenas têm a função de auxiliar e oferecer a estrutura adequada para os estudos. As atividades pedagógicas são elaboradas por professores e educadores, com base no currículo da escola e alinhadas com a BNCC.

Outro ponto importante é que, além de não contar com acompanhamento de educadores qualificados, o ensino domiciliar não fornece recursos para avaliar a evolução dos alunos periodicamente. Não são aplicados testes, simulados, feiras, trabalhos em grupo e dinâmicas, como costuma ocorrer no dia a dia das escolas.  

“A escola é fundamental para garantir o direito de crianças e adolescentes à aprendizagem de qualidade, à socialização e à pluralidade de ideias, além de ser um espaço essencial de proteção de meninas e meninos contra a violência. Tirar deles o direito de estar na escola trará prejuízos importantes para crianças e adolescentes”, explica Mônica Dias Pinto, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.