Desenhos em quadrinhos: saiba as principais características e sua história no Brasil

Aprenda sobre a história das HQs no Brasil e no mundo, veja as suas as principais características e confira uma lista de quadrinhos para você ler.


Quem aqui nunca leu desenhos em quadrinhos? Mais conhecidos como história em quadrinhos, HQ ou gibis, este gênero de leitura fez parte da infância de diversos adultos e, até os dias de hoje, segue sendo uma das opções preferida dos jovens. Seja nas tirinhas de revistas e jornais, nos gibis ou mesmo na internet, quase todos nós temos alguma lembrança de personagens como o Cebolinha, Menino Maluquinho, Mafalda, Calvin e Batman. O sucesso é tanto que diversas HQs foram adaptadas para as grandes telas de cinema onde se tornaram recorde de bilheterias.  Veja a seguir o que são as histórias em quadrinhos, como surgiram e dicas de quadrinhos brasileiros para você ler.

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Principais características das histórias em quadrinhos

Os desenhos em quadrinhos em quadrinhos são narrativas gráficas, contadas por meio de desenhos e textos dispostos em sequência, normalmente na horizontal. Como toda história, elas possuem enredo, personagens, tempo e espaço. 


Conhecido pela sua maneira descontraída de contar histórias, os quadrinhos são recheados de desenhos e recursos gráficos para fazer com o que leitor mergulhe no universo da leitura. A fala dos personagens, por exemplo, são dispostas em balões que, dependendo do formato e contorno, podem construir diferentes sentidos ao que é falado. Veja a seguir os diferentes tipos de balões de diálogo utilizados em HQs:


  • Balões com linhas contínuas representam uma fala comum;
  • Balões com bordas pontiagudas expressam gritos;
  • Balões com linhas pontilhadas indicam sussurro;
  • Balões com linhas simples e ponta em forma de raio: representam uma fala eletrônica;
  • Balões com linhas trêmulas expressam medo;
  • Balões em formato de nuvem podem representar sonhos e pensamentos;
  • Balões com mais de uma ponta indicam a fala de dois personagens ao mesmo tempo.

Outro recurso muito utilizado por artistas são as onomatopéias, ou seja, palavras que representam sons. Expressões como “trim-trim” para o som do telefone, “bum!” para o som de uma explosão e “miau” para o gato são alguns exemplos que tornam os quadrinhos ainda mais interessantes. 


Origem das histórias em quadrinho

O primeiro desenho em quadrinhos moderno, HQ, foi criado pelo artista americano Richard Felton Outcault, em 1895. A tirinha, The Yellow Kid (O Menino Amarelo), foi publicada no jornal New Yorker World e logo foi adotada por outros jornais. A história narrava as aventuras de um garoto que vivia nos guetos de Nova Iorque e trazia reflexões sobre questões sociais da época como racismo, consumismo e violência.




Apesar de ter Outcault ter sido pioneiro neste formato, a arte de contar histórias através de imagens é algo que existe desde a pré-história, com as pinturas rupestres. É possível observar a mesma tendência nas paredes das igrejas católicas durante o século XIV, que retratavam a Via Sacra de Jesus de maneira sequencial. A única diferença é que ambos não continham texto.


A história dos desenhos em quadrinhos no Brasil

No Brasil, as histórias em quadrinhos chegaram por volta da mesma época com o autor italiano, radicado no Brasil, Angelo Agostini. Seu trabalho, As Aventuras de Nhô Quim, saiu na revista Vida Fluminense em 1869 e narra as experiências de um caipira que se muda para o Rio de Janeiro.  




Agostini foi o grande precursor da história das HQs e charges políticas no Brasil. Quase cem anos depois, a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP) criou duas datas para homenagear o autor: o “Dia do Quadrinho Nacional, celebrado no dia 30 de janeiro, e o “Prêmio Angelo Agostini”, premiação concedida para os melhores artistas do quadrinho no país. 


Nos anos seguintes o cartunista realizou diversos trabalhos, lançando também uma das primeiras revistas do país, a Revista Illustrada. Quadrinistas como Ziraldo, Maurício de Souza e Marcello Quintanilha foram outros grandes nomes que sucederam Agostini na história dos quadrinhos brasileiros. 


Você deve estar se perguntando, e o gibi? De onde vem? Calma, nós vamos explicar!

Entenda a diferença entre HQ, gibi e mangá

Muitas pessoas leem quadrinhos, outros leem HQ e há também os amantes de mangá. Mas, afinal, qual é a diferença? A resposta é: nenhuma. HQ, gibi e mandá são a mesma coisa: histórias em quadrinhos. Todos possuem personagens fixos, ações fragmentadas e diálogos apresentados em pequenos balões de texto, o que muda é o modo como a história é contada e o formato em que é publicada.

HQ

A sigla HQ, é apenas uma abreviação para história em quadrinhos. Aqui no Brasil, a expressão é usada principalmente para se referir aos quadrinhos americanos, conhecido como comics. Marvel, DC e Image, são apenas algumas das editoras mais conhecidas pelas histórias de super heróis como: X-Men, Capitão América, Batman e tantos outros. 

Gibi

No Brasil, este mesmo tipo de formato ficou famoso na década de 40, como gibi. Originalmente, “Gibi” era o nome de uma revista criada pelo Grupo Globo, em 1939, que trazia algumas tiras de histórias em quadrinhos. Porém, a revista ficou tão famosa que a palavra acabou se tornando sinônimo para HQ. Um fato curioso é que, na época, gibi era também uma gíria utilizada para menino ou moleque


Mangá

Assim como a HQ e o gibi, o mangá também narra histórias através de desenhos e texto em quadrinhos sequenciais, com pequenas diferenças.

A principal característica que o diferencia dos demais é o modo ocidental de leitura: de trás para frente e da direita para esquerda. Originado no Japão,  são normalmente impressos em preto e branco e o seu tamanho é um pouco menor quando comparado a HQ. 


Independente do nome dado, a HQ, o gibi e o mangá são exatamente a mesma coisa, porém cada um reflete as histórias, costumes e experiências da cultura em que estão inseridos.  


Dicas de histórias em quadrinhos brasileiras

O universo dos quadrinhos é enorme, existem várias opções de leitura, para todas as idades e gostos: histórias de aventura, de amor, de super heróis, de alienígenas e robôs. Por ajudar você a escolher, preparamos uma lista com dicas de HQs brasileiras. Confira:


  • Turma da Mônica

Quando a gente pensa em histórias em quadrinhos, a primeira lembrança que vem a mente é a Turma da Mônica. Sem dúvida, os desenhos de Maurício de Sousa foram muito presentes na infância de diversos adultos e, até hoje, são adorados pela garotada. Além do tradicional gibi Turma da Mônica, outra coletâneas como Turma da Mônica Geração 12, Turma da Mônica Geração Jovem e Graphics MSP estão disponíveis.  




  • Bear

Bear é um quadrinho criado, escrito e desenhado por Bianca Pinheiro, uma das maiores quadrinistas da atualidade no Brasil. A história narra as aventuras de uma menina e o seu amigo urso Bear, ao redor do mundo a procura do seu lar. A webcomic conta com capítulos semanais e, a melhor parte, ela pode ser lida de graça, clicando aqui.



  • Aventuras na Ilha do Tesouro

A HQ relata a história de Capitão, um jovem rebelde que vive em uma ilha mágica, tentando entender a sua existência no mundo ao longo da narrativa. Um clássico quadrinho de aventuras que mistura fantasia e realidade. A obra é de Pedro Cobiaco, outro artista da nova geração de quadrinistas brasileiros. 



  • Bidu: Caminhos

Publicado pela editora Maurício Souza Produções (MSP), a história tem como personagem principal Bidu, o famoso cachorrinho do Franjinha, da Turma da Mônica. Escrita por Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, a HQ conta a história de amizade entre o bichinho e o seu dono. Uma ótima opção para ler com as crianças, já que conta com pouco texto, imagens lindas e onomatopéias.

 


  • Klaus

Klaus é uma linda metáfora sobre a adolescência, sobre se sentir diferente de tudo e todos. A história é toda apresentada em preto e branco pelo jovem e talentoso cartunista Felipe Nunes, vencedor do 27º HQMix na categoria Novo Talento - Desenhista. 




As histórias e desenhos em quadrinhos apresentam um universo cheio de imaginação, reflexões, humor e ensinamentos para leitores do mundo inteiro. Além disso, esse formato de leitura é uma ótima ferramenta para o desenvolvimento intelectual, educacional e emocional das crianças.


Seja HQ, gibi ou mangá o que vale é ler e se divertir!  Leia também: + Método Montessori: veja a história e os princípios do método de ensino + TV para crianças: conheça 5 séries e desenhos para maratonar durante a quarentena