Abordagem Pikler: conheça o método de ensino e as suas características

A abordagem foi criada pela pediatra Emmi Pikler e o seu foco é o desenvolvimento de crianças de até 3 anos


Pikler foi uma educadora e pediatra austríaca que desenvolveu uma abordagem para o desenvolvido da criança em parte da sua primeira infância, dos primeiros meses de vida até os 3 anos. De modo geral, a abordagem Pikler valoriza um desenvolvimento saudável do bebê, alcançado por meio de uma observação atenta, por parte do responsável, e pela autonomia, por parte da criança


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Quando surgiu a abordagem Pikler

A abordagem Pikler foi desenvolvida pela pediatra húngara Emmi Pikler a partir de observações e de posturas que ela fez e teve durante a criação do seu primeiro filho. Então, em 1940, Pikler lançou um livro em que explica os conceitos-chave da sua abordagem e, em 1946, abriu um abrigo para crianças que ficaram órfãs por causa da 2º Guerra Mundial. 


A médica dirigiu o Instituto Lóczy, nome do orfanato, até 1979, período em que Pikler também escreveu e publicou outros trabalhos e relatos de experiência. A médica faleceu em 1984, aos 82 anos.


Em relação ao orfanato que Emmi Pikler criou e em que colocou em prática a abordagem que desenvolveu, chamou a atenção dos médicos o fato de nenhuma criança apresentar sinais de hospitalismo, que é um quadro comum entre crianças que crescem em hospitais ou em instituições sem laços afetivos. Nesse caso, os bebês ou crianças tendem a ter apatia, atraso no desenvolvimento afetivo ou intelectual, falta de interesse pelo mundo exterior, entre outras traços. Na verdade, as crianças do Instituto apresentavam um bom desenvolvimento emocional, motor e cognitivo. 


Conceitos base da abordagem Pikler


  1. Movimento livre: a criança não deve ser induzida a fazer certos movimentos, como ficar em pé, se ela não tiver capacidade para fazer por conta própria. Além disso, esse conceito prevê que a criança tenha liberdade para se movimentar e descobrir o próprio corpo de acordo com a capacidade motora que ela desenvolver. Assim, o tempo da criança deve ser observado e respeitado. 
  2. O tempo da criança: esse conceito está diretamente relacionado com o anterior. Do mesmo modo que o movimento deve ser incentivado, o tempo da criança deve ser respeitado. Isso porque, por exemplo, cada criança tem um tempo para aprender a andar, fazendo outros movimentos enquanto aprende - como engatinhar, rolar e se arrastar. Nesse período, o responsável não deve apressar o bebê nem interrompê-lo, assim ele se sentirá seguro para continuar se desenvolvendo com autonomia.
  3. Autonomia: os responsáveis devem intervir durante a atividade do bebê somente quando for necessário. A criança deve descobrir, por conta própria, o ambiente em que está inserida, as suas capacidades motoras e os seus limites. Nessa fase, todo movimento é aprendizado, então, ele não devem ser interrompidos mesmo que eles sejam estranhos. Há brinquedos e recursos que favorecem o desenvolvimento do bebê e podem ser usados na abordagem Pikler.
  4. Rotina compreendida: a criança deve compreender a rotina que o adulto estabelece para ela. Por isso, é necessário que as atividades do dia a dia, como tomar banho, comer, higiene pessoal, entre outras, sejam explicadas para a criança. Além disso, cabe ao adulto pedir ao bebê que ele participe da ação, gerando um vínculo de afeto e de confiança entre eles, além de senso de responsabilidade em quem está sendo cuidado.
  5. Conversar com o bebê: essa postura deve estar presente durante toda a abordagem Pikler. É provável que o bebê não compreenda o que é dito quando alguém fala com ele, porém, é importante que o responsável converse ao longo das atividades, pois é um modo de incentivar a comunicação e a compreensão da criança, que vai sentir-se mais segura com o vínculo criado.


Abordagem Pikler na prática

Um ponto central para o sucesso da abordagem Pikler é a confiança do bebê em seu cuidador. Para que isso ocorra, é necessário que a criança sinta-se confortável e segura.


Então, Pikler fez uma lista de recomendações para os adultos seguirem quando forem cuidar do bebê. Confira alguns exemplos:


  • Conversar com o bebê. Essa é uma postura-chave para a abordagem Pikler. É importante que o cuidador explique o que está sendo feito durante o cuidado cotidiano, como vestir ou trocar a fralda. Além disso, deve-se responder com palavras às reações do bebê. Desse modo, a criança sente-se compreendida e desenvolve confiança em seu desenvolvimento.
  • Respeitar o tempo do bebê durante os cuidados. Nesse caso, deve-se esperar o ritmo de cada criança, além de evitar fazer movimentos bruscos e repentinos com o bebê, pois é importante que ele tenha tempo para entender o que está acontecendo. 
  • Avisar a criança antes de pegá-la para não causar surpresa e a assustar.
  • Pôr o bebê somente em posições em que ele consiga se colocar sozinho. Nesse caso, por exemplo, não se deve botar o bebê em pé se ele ainda não conseguir fazer isso sozinho, pois o desenvolvimento da criança deve ser espontâneo.

 O brincar na abordagem Pikler

A brincadeira é uma atividade importante para a abordagem Pikler, pois a criança desenvolve habilidades motoras e cognitivas enquanto brinca, além de se relacionar com o mundo ao seu redor.

Só que o brincar deve ser feito de modo livre, isto é, o responsável deve manter-se próximo a criança, mas apenas observando, interferindo na atividade do bebê somente quando for necessário.

Além disso, por questões de saúde e de segurança, o espaço deve ser adequado, com piso de madeira ou tecido, objetos lúdicos ao alcance da criança, brinquedos bem apoiados no piso, de modo que ela consiga desenvolver sua coordenação motora.

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