Cantinho do pensamento vs. cantinho da calma: qual é melhor?

Toda criança apronta, faz arte ou falta com educação. Quando isso acontece, os adultos costumam colocá-las de castigo, como o cantinho do pensamento.

Mas, será que adianta? A criança consegue, de fato, refletir sobre as próprias ações e projetar um futuro diferente, resultado de posturas mais adequadas? Segundo especialistas em educação, não.


E se em vez de criar um cantinho do pensamento, for feito um cantinho da calma? O processo é parecido, já o resultado, diferente. Respondemos abaixo as dúvidas mais comuns em relação ao cantinho do pensamento e ao cantinho da calma. Confira:



  1. Como usar o cantinho do pensamento?

O cantinho do pensamento é uma estratégia que consiste em mandar a criança para algum canto para que ela pense sobre o que fez. Idealmente, após esta reflexão, ela mudará o comportamento. No entanto, esse é um castigo que apresenta resultados quando é aplicado em crianças mais velhas, a partir dos sete anos de idade.


Quando elas são mais novas não conseguem compreender a situação, então acabam mais irritadas e frustradas. Além disso, é comum que elas pensem em como fugir do castigo ou fiquem reclamando de quem a colocou de castigo, sem refletir sobre o que a levou a essa situação.


Por isso, no caso de crianças mais novas, o melhor é ajudá-las a nomear os próprios sentimentos para que elas consigam lidar com suas emoções de um modo mais correto. Por exemplo, dizer para a criança “você está chorando porque está com sono” ou “você está irritada porque o seu brinquedo quebrou” a ajuda a elaborar o que está sentindo.

Em compensação, mandá-la para um lugar quieto e afastado para pensar, faz com que ela sinta frustração e raiva, além de associar o ato de pensar com algo ruim, que acontece quando ela é penalizada.


  1. O que é o cantinho da calma?

O chamado “cantinho da calma” é parecido com o cantinho do pensamento. A diferença é que o primeiro faz parte da chamada disciplina positiva, que é uma estratégia de educação que pretende ensinar a criança a ter autocontrole, autonomia e controle das emoções; já o segundo pertence a uma educação punitivista, que acredita que a criança aprende quando é punida.


O chamado “cantinho da calma” pode ter outro nome, já que a criança deve ajudar a nomeá-lo. Na verdade, para que ele tenha o efeito esperado, o pequeno ou a pequena deve participar de todas as etapas da sua elaboração, ajudando a escolher o lugar, o modo como ele será chamado, além dos brinquedos que ficarão nele.


Desse modo, o adulto pode fazer sugestões, mas a criança deve sentir que participou da construção do cantinho, assim ela ficará menos resistente quando precisar utilizá-lo. Além disso, ele deve ser montado em um momento que a criança esteja calma e colaborativa.


Lembre-se de combinar com a criança que ela poderá usar o local toda vez que sentir raiva, irritação, tristeza ou quando quiser ficar sozinha por um tempo. Diga também que você vai convidá-la para o cantinho da calma quando julgar necessário.

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Tenha em mente, porém, que o convite não deve ser uma obrigação. Como o intuito é acalmar a criança, ela deve ir para o lugar por vontade própria. Caso ela não queira, não insista nem a leve à força. Tenha em mente que é um processo e que, com o tempo e os estímulos corretos, ela vai criar o hábito de utilizar o espaço.


  1. Como organizar o cantinho da calma

Como vimos, o chamado “cantinho da calma” é feito com o intuito de acalmar a criança. Por isso, é importante que o local contenha objetos e brinquedos que consigam distrair e acalmar o pequeno ou a pequena por um tempo.

Veja abaixo uma lista do que pode ser usado no cantinho:


  • almofadas;

  • bichos de pelúcia;

  • lápis;

  • papel;

  • bolinhas de massagem;

  • massinha de modelar;

  • slime; 

  • tintas.


Outros brinquedos e objetos podem ser usados. O importante é que não sejam brinquedos barulhentos nem aparelhos eletrônicos, como celular e videogame. Afinal, o intuito é disponibilizar itens que ajudem a criança a se acalmar, não a se agitar.


No caso de irmãos, pode-se usar o mesmo cantinho para eles ou um para cada. Converse com eles antes para saber como preferem que seja. Se optarem por fazer um único lugar, permita que eles escolham individualmente os objetos do local, afinal, o que acalma um nem sempre acalma o outro.



4. Como convencer a criança a usar o cantinho da calma Caso a criança apresente resistência a usar o lugar que foi construído por ela também, o adulto pode fazer um “cantinho da calma” para ele próprio. Desse modo, ao ver o responsável utilizar um lugar correspondente ao dela, a criança entende que não é um castigo e que o espaço pode ajudá-la a lidar com alguns sentimentos negativos.


O adulto pode usar o local quando a criança estiver fazendo birra ou faltando com educação. No caso, o responsável vai para o canto organizado para ele mesmo. Ele pode dizer que a criança o está deixando irritado e que precisa se acalmar, indo para o seu cantinho da calma.


Preencha o espaço do adulto com almofadas, livros e outros objetos que o mantenha calmo. Estando calmo, o responsável pode conduzir a criança a se acalmar. Ao educar pelo exemplo, a resistência da criança em ir para o cantinho da calma deve diminuir.


Lembre-se de que os hábitos demandam tempo para serem construídos. Por isso, não tenha pressa e procure educar pelo exemplo. Quando houver uma situação de stress ou de sentimentos negativos, não exploda, xingando e gritando. Vá você também para o cantinho da calma e mostre para a criança que este é um modo eficaz de lidar com os próprios sentimentos e emoções.


5. Cantinho do pensamento ou cantinho da calma, qual dos dois usar? Como vimos, o cantinho do pensamento e o cantinho da calma se parecem, mas são diferentes. Ambos são utilizados por adultos que querem educar a criança, ensinando a ela como lidar com os sentimentos e a refletir sobre as próprias ações.

No entanto, a dinâmica e o resultado de ambos são diferentes.


O cantinho do pensamento costuma ser um lugar distante e silencioso no qual a criança deve permanecer pelo tempo determinado pelo adulto. Por ser usado como castigo, o seu intuito é penalizar a criança, privando ela de se divertir por um período.

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Já o cantinho da calma é um lugar escolhido e construído tanto pela criança como pelo adulto. O seu intuito é ensinar a criança a lidar com os sentimentos e emoções negativas. Neste caso, o responsável pode criar um espaço para ele próprio, ensinando e conduzindo a criança pelo exemplo.  


Outra diferença entre eles é o tempo de permanência da criança. No cantinho do pensamento, em geral, usa-se a regra do 1 minuto a cada ano de idade. Então, a criança de 5 anos deve permanecer no lugar durante 5 minutos, por exemplo.

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Já no cantinho da calma a criança deve permanecer o tempo que ela própria julgar necessário. Afinal, não é um castigo e ela não é obrigada a ir, nem a permanecer. 


Segundo especialistas da área da educação, o cantinho da calma apresenta mais resultados, pois ele educa a criança, enquanto o cantinho do pensamento apenas a penaliza. Esperamos que essas dicas ajudem você a decidir qual estratégia utilizar na hora de educar o seu filho. Quer receber mais dicas e conteúdos sobre educação e desenvolvimento infantil? Assine nossa newsletter, é gratuita!