Apenas 56,6% das escolas brasileiras possuem acesso à rede de esgoto

Levantamento realizado pelo Melhor Escola aponta infraestrutura precária nas instituições de Ensino Básico no Brasil


Diversos estados ao redor do país já anunciaram as datas de reabertura das escolas, porém, um antigo desafio estrutural aponta um alerta, em um cenário de reforço das medidas de higiene pessoal e coletiva. 



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Isto porque, 44,4% das escolas brasileiras não tem acesso a rede de esgoto, conforme mostra um estudo realizado pelo Melhor Escola, a partir dos dados do Censo Escolar de 2019. O levantamento foi feito com o objetivo de analisar a infraestrutura das instituições de ensino, no contexto da pandemia de Covid-19. 


Distribuição de água potável, tratamento de esgoto, drenagem urbana e coleta de lixo são os pilares que constituem o saneamento básico. Ter ou não acesso a um desses itens pode gerar impactos diretos na qualidade de vida das pessoas, na saúde, na poluição de rios e do meio ambiente e, também, na educação. De acordo com o estudo, menos da metade das escolas públicas (46,7%) dispõe de tratamento de esgoto. Na rede privada, este percentual sobe para 89%. No gráfico abaixo, é possível analisar o acesso ao serviço por estado. 

Quantidade de escolas brasileiras com acesso à rede de esgoto em 2019.

Os estados do Amapá, Amazonas, Maranhão e Pará, um dos mais afetados pela Covid-19, apresentam os piores índices do país considerando o acesso à rede de esgoto, beirando os 10% na rede pública. 

Com relação a coleta de lixo, aproximadamente 146 mil escolas possuem o serviço, número que representa 80% das instituições do país. Além disso, o levantamento constatou também que somente 30% das escolas no Brasil possuem área verde em suas infraestruturas, como jardins, hortas e outros espaços recreativos.

Quantidade de escolas brasileiras com área verde em 2019.

De acordo com Juliano Souza, co-fundador do Melhor Escola, o saneamento básico é um fator a ser levado em consideração para que o retorno às aulas presenciais seja mais seguro. “Os números acima mostram que a rede particular está mais preparada do que a rede pública”, explica. Souza complementa que os pais precisam analisar se a instituição possui o saneamento adequado e se está adotando outras medidas importantes como, disponibilização de álcool em gel, distanciamento entre carteiras e higienização do local.

Na semana passada, o diretor de relações institucionais do Melhor Escola, Marcelo Lima, foi convidado pela rádio CBN de Fortaleza para conversar sobre o assunto. Ouça a entrevista na íntegra abaixo: