Analfabetismo no Brasil: um retrato da desigualdade

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O analfabetismo no Brasil atinge mais de 16 milhões de pessoas, é o que aponta o relatório de 2020 do IBGE, o mais recente sobre o tema. Esse número alarmante coloca em xeque a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de zerar o analfabetismo no país até 2024.


De acordo com os relatório, cerca de 7% da população não é alfabetizada. Essa realidade é resultado de décadas de políticas públicas de educação mal geridas, sucedidas por descaso por parte do governo em alfabetizar devidamente os jovens e adultos do país.


Quem pode ser considerado analfabeto?


São consideradas analfabetas as pessoas que não sabem ler nem escrever. No entanto, o termo “analfabeto” também costuma ser usado de modo pejorativo para descrever uma pessoa que não domina determinado assunto. Feitas essas considerações, é importante saber que há diferentes níveis de analfabetismo, quer saber mais sobre eles? Confira:


O que é o analfabetismo funcional?


O analfabeto funcional é a pessoa que é capaz de ler e escrever algumas frases, mas não consegue compreender ou formular um texto simples. Desse modo, embora a pessoa conheça as letras do alfabeto e saiba como utilizá-las, o indivíduo não consegue interpretar uma notícia escrita de jornal ou mesmo resolver um problema matemático simples.


São considerados analfabetos funcionais as pessoas que possuem 4 anos ou menos de ensino formal, o equivalente ao primeiro ciclo completo do Fundamental. 

O analfabetismo funcional pode ser dividido em três níveis, são eles:


  1. Analfabetismo funcional: nível 1

No primeiro nível de analfabetismo funcional, a pessoa consegue ler e entender frases curtas, além de saber contar. No entanto, o indivíduo apresenta dificuldades em compreender um número com vários algarismos e textos mais longos. É a chamada alfabetização rudimentar.

 


  1. Analfabetismo funcional: nível 2

No analfabetismo nível 2, o indivíduo consegue ler pequenos textos, mas nem sempre interpreta informações mais complexas desse fragmento textual. Em relação aos números, a pessoa que tem esse grau de instrução consegue realizar contas básicas, mas tem dificuldade quando há uma quantidade grande de cálculos.  É a chamada alfabetização básica.


  1. Analfabetismo funcional: nível 3

Nesse grau de instrução, a pessoa consegue dominar a leitura, a escrita e os números das operações matemáticas.


Segundo as estatísticas do IBGE, existem cerca de 38 milhões de analfabetos funcionais no Brasil, o que representa cerca de 29% da população com mais de 15 anos. 


Combate ao analfabetismo no Brasil


No Brasil, a educação é uma área com carências que vão do financiamento da educação à implementação das políticas públicas já estabelecidas, passando pela formação e incentivo à carreira de professor, além da infra-estrutura das escolas. De acordo com um grupo de educadores, as metodologias de alfabetização ainda utilizadas em algumas escolas são ultrapassadas, não dialogando com a realidade atual dos alunos.


Isso porque as técnicas costumam se basear na memorização dos conteúdos, que tem o intuito de fazer o aluno repetir o que está sendo ensinado até decorar, o que impede o desenvolvimento criativo e incentiva a memorização, mas não a compreensão do que está sendo ensinado. 


Nesse contexto, o estímulo à leitura e à escrita é um modo de combater o analfabetismo no país, já que a democratização a bens culturais é um dos modos de diminuir as diferenças educacionais e culturais existentes. 


Analfabestismo: uma desigualdade regional


O mapa de analfabetismo no Brasil mostra que 125 municípios do país, em um universo de 5.507, concentram 25% dos analfabetos do Brasil. Entre esses municípios estão 24 capitais, sendo a cidade de São Paulo a que apresenta o maior número total de analfabetos, cerca de 380 mil pessoas.


Ainda de acordo com o mapa, cerca de 35% dos analfabetos já frequentaram a escola. Esse dado indica que apenas o acesso ao sistema de ensino não é suficiente para uma escolarização adequada, sendo necessário também políticas públicas e abordagens pedagógicas mais assertivas. 


O analfabestimo no mundo


De acordo com a Organização das Nações Unidas para  Educação (Unesco), apesar dos esforços globais de melhorias de acesso à educação, ainda existem cerca de 750 milhões de jovens e adultos analfabetos no mundo em pleno século XXI.


Para se ter uma ideia do número de pessoas, ela é mais de três vezes maior do que a população do Brasil, estimada em 210 milhões de habitantes. Segundo a Unesco, esse é um problema que persistirá por algumas gerações, já que mais de 260 milhões de crianças e adolescentes no mundo não estão matriculados em uma instituição de ensino.