3 personagens do folclore brasileiro que você provavelmente nunca ouviu falar

Travessos, horripilantes e encantadores. Confira a história do folclore no Brasil e os personagens não tão conhecidos pelo público.


A cultura brasileira é repleta de tradições, lendas e costumes que foram transmitidas ao longo dos anos, de geração para geração. A Cuca, o Saci-pererê e o Boto-cor-de-rosa são apenas alguns dos diversos personagens do folclore brasileiro que fazem parte da cultura popular brasileira. 


Muitas dessas histórias nasceram antigamente e foram preservadas até os dias de hoje, primeiro através da tradição oral e, depois, nos contos e livros infantis. A palavra folclore carrega tamanha importância que, em 1965, o governo federal decretou, no dia 22 de agosto, o Dia do Folclore no Brasil, a fim de preservar a cultura popular brasileira.


O que é folclore?


Derivada do termo saxônico, folklore é uma junção das palavras folk - que significa povo - e lore - que quer dizer saber. A expressão foi criado pelo escritor William John Toms, em 1846, e tem, como significado “saber tradicional de um povo”. 


História do folclore no Brasil


Os estudos sobre o folclore tiveram início no século XVII, porém, no Brasil, a área só ganhou força em meados do século XX, através de Luís da Câmara Cascudo, Florestan Fernandes, Amadeu Amaral e Mário de Andrade - um dos grandes pesquisadores da cultura popular brasileira. 


Em 1951, aconteceu o 1º Congresso Brasileiro de Folclore, no Rio de Janeiro. No encontro, o folclore foi reconhecido como uma área da antropologias, justificado pelo fato de que “as maneiras de pensar e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação, e que não sejam influenciadas pelos círculos eruditos” são fatos folclóricos.


Assim como toda nação, o Brasil possui tradições, crendices, mitos, festas e danças que foram passadas de geração para geração e preservadas ao longo dos anos. Todos esses elementos compõe o rico folclore brasileiro - caracterizado pela mistura entre a cultura indígena, africana e portuguesaUm dos aspectos mais conhecidos do nosso folclore são os seres míticos e lendários que foram eternizados nas páginas dos livros, nas telas de TVs e filmes.

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Conheça os personagens do folclore brasileiro

Não se sabe ao certo quantos personagens fazem parte do folclore brasileiro visto que, muito da história do nosso país que não foi registrada, perdeu-se no tempo, ficando reclusa apenas às pessoas e a região a qual pertencia.

Pensando nisso, separamos abaixo seis figuras folclóricas brasileiras, três muito conhecidos ao redor do país, e outros, nem tanto. Confira:

Iara

Conhecida também como Uiara - do tupi y-îara - ou Mãe d’Água, esta personagem tem origem nos povos indígenas. Segundo a lenda, Iara era uma jovem índia guerreira conhecida por sua força e valentia. Após defender-se do ataque dos seus irmãos que planejaram a sua morte, a moça fugiu de casa com medo de seu pai. Depois de alguns dias, o pai a encontrou e, como castigo, jogou-a no rio Amazonas. Os peixes levaram Iara até a superfície e, em uma noite de lua cheia, a menina se transformou em uma linda sereia de de olhos verdes. 

Todos os dias, ao entardecer, a índia passou a banhar-se no rio e hipnotizar os homens com a sua beleza. Com sua voz doce, Iara enfeitiça os rapazes e os leva para o fundo da água. Raros são os que sobrevivem e, os que vivem, enlouquecem, sendo necessário um ritual do pajé da tribo para desfazer o encanto.

Caipora

Assim como Iara, Caipora também é um personagem do folclore brasileiro que tem suas origens na cultura indígena. A palavra, em tupi-guarani, significa “habitante do mato” e é retratado como um pequeno índio de pele escura, coberto por pelos, ligeiro e que anda nu pelas florestas. 

Guardião das matas, Caipora vive pregando peças para defender os animais dos caçadores que não cumprem o acordo de caça feito com ele, seja dando pistas falsas através de assobios e galhos ou simulando os ruídos dos animais. 

Negrinho do Pastoreio

De origem afro-cristã, o Negrinho do Pastoreio foi uma lenda muito contada no final do século XIX pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. O conto relata a história de um menino escravo que tinha um patrão maldoso. 

Um dia, Negrinho foi pastorear os cavalos e acabou perdendo um cavalo de cor castanho. Furioso com o acontecido, seu patrão o maltratou e o fez passar a noite dentro de um formigueiro. No dia seguinte, o garoto estava livre, sem nenhum ferimento e montado no cavalo baio ao lado da Virgem Maria. O acontecimento foi considerado um milagre e hoje é conhecido por proteger as que perdem algo. 

 

Todos estes personagens são muito conhecidos por nós brasileiros, porém, existem lendas que ainda permanecem um tanto obscuras nos quatro cantos do país. Ficou curioso? Veja a lista abaixo:

Pé-de-garrafa

Uma das mais desconhecidas figuras do nosso folclore. As pessoas que já o viram, dizem tratar-se de um homem selvagem cabeludo que possui chifres, um olho na testa, garras e apenas um pé, no formato de garrafa (o que explica o nome). Costuma se esconder nas matas do Centro-Oeste e seus urros, assustadores, são capazes de fazer qualquer um se perder na mata. A lenda é popular no Piauí, em Minas Gerais e Mato Grosso.

 

Minhocão

Parte da cultura folclórica da região do Rio São Francisco, os ribeirinhos locais dizem que, no fundo do rio, se esconde um enorme surubim (espécie de peixe) de mais de 300 anos chamado Minhocão. A sua velhice fez com que a suas barbatanas caíssem e seu corpo, tomasse um formato arredondado. Furioso com o acontecido, o peixe gigante derruba as embarcações que passam pelos rios. Reza lenda, que Minhocão é capaz de se locomover por debaixo da terra, até chegar nas cidades, cavando buracos e desmoronando casas. Matinta Perera Conhecida por fazer parte da música “Águas de Março”, de Tom Jobim, esta é na verdade uma personagem do folclore brasileiro, mais especificamente da Região Norte do país. Segundo a tradição, trata-se de uma bruxa velha que, durante a noite, se transforma em um pássaro e pousa sobre os muros e telhados das casas. Com um assobio augo e ensurdecedor, ela perturba o sono das pessoas e só para quando o morador promete lhe dar algo em troca, geralmente tabaco. No dia seguinte, Matinta retorna a casa para cobrar o que lhe foi prometido. Caso seja negado, uma desgraça acontece no local. Horripilantes ou não, travessos ou defensores das matas, os personagens do folclore brasileiro fazem parte da cultura do nosso país e contar as suas histórias é uma forma de manter vivas as tradições de cada região. Leia também: + Festa Junina na escola: veja como organizar um arraial + UNICEF lança podcast educativo para ajudar as crianças durante isolamento